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Negócios⏱ 7 min de leitura

📊 Controle de custos na impressão 3D: o que medir para não trabalhar de graça

Existe um momento previsível na vida de quem vende impressão 3D: o mês fecha com bastante venda, o cliente elogiou, a máquina rodou o tempo todo — e a conta bancária não mexeu. Quando isso acontece, quase sempre o problema não é o preço. É que o controle de custos nunca existiu, e coisas que custavam dinheiro estavam saindo da conta sem aparecer.

Este guia é a lista do que precisa ser medido, e por que cada item some.

Filamento: o custo que todo mundo mede, e mede errado

Quase todo mundo conta o filamento. Poucos contam direito.

O erro mais comum é usar o preço do carretel em vez do preço do grama efetivamente entregue. Entre o carretel e a peça na mão do cliente somem: o suporte, o brim, a purga da troca de cor, a primeira camada que não colou, a peça que empenou no fim, e a ponta do carretel que não dá para usar. Na prática você entrega de 90% a 95% do que comprou.

O segundo erro é misturar preços. Você comprou três carretéis de PLA por R$ 89 numa promoção e o próximo por R$ 125. Se sua conta ainda usa R$ 89, cada peça está com o custo subestimado. A calculadora de filamento ajuda no gasto por peça, mas o preço médio ponderado do que você tem em estoque é a parte que precisa ficar registrada em algum lugar.

Energia: pequena por peça, relevante no mês

Uma impressora FDM de mesa consome entre 100 e 150 W em regime, com picos bem maiores no aquecimento da mesa. Em uma peça de 3 horas, isso dá cerca de R$ 0,40. É fácil concluir que não importa — e é uma conclusão errada, porque o número que importa não é por peça, é por mês: 240 horas de máquina custam entre R$ 25 e R$ 40 de energia. Com mesa aquecida grande ou câmara fechada, mais.

Não quebra o negócio. Mas é um custo que existe, e custo que não é medido nunca entra no preço.

Máquina: o custo que só aparece quando quebra

A impressora se desgasta imprimindo, e esse desgaste é um custo por hora tão real quanto o filamento. Ele se manifesta em duas formas.

A depreciação é o valor da máquina diluído na vida útil dela. Uma impressora de R$ 2.500 com 3 anos de vida custa cerca de R$ 70 por mês, rodando ou não.

A manutenção é o que vai quebrar: bico entope e se desgasta (principalmente com filamento abrasivo), correia folga, rolamento faz barulho, tubo de PTFE queima, mesa perde aderência, ventoinha morre. Reserve algo entre R$ 30 e R$ 60 por mês por máquina — não porque você vai gastar isso todo mês, mas porque no mês em que gastar, vai gastar tudo de uma vez.

A calculadora de custo por hora junta depreciação e manutenção num número por hora, que é o formato útil para colocar no preço.

Refugo: o custo invisível mais caro

Toda peça que você imprimiu e não vendeu foi paga por você: filamento, energia, hora de máquina e o seu tempo. Peça que empenou, que saiu com camada deslocada, que o cliente recusou, que você imprimiu para testar cor.

Em operação saudável, o refugo fica entre 5% e 10% do que se produz. Acima disso, o problema não é de custo, é técnico — e vale atacar a causa com o diagnóstico de impressão antes de tentar consertar no preço.

O ponto é que refugo precisa ser um número que você conhece. Quem não mede acha que está em 2% e está em 15%.

Seu tempo: o custo que ninguém coloca na planilha

Este é o grande. Some tudo o que você faz e que não é a máquina imprimindo:

- Achar ou modelar o arquivo

- Fatiar e configurar

- Acompanhar a impressão

- Tirar da mesa, remover suporte, lixar, pintar

- Embalar

- Fotografar e anunciar

- Responder cliente

- Ir ao correio

Numa peça de venda direta, isso costuma dar 20 a 40 minutos por pedido. Se você valoriza sua hora em R$ 25, são R$ 8 a R$ 17 por pedido que precisam estar no preço. Numa peça vendida a R$ 45, é mais de um terço do valor.

Quem não coloca o próprio tempo na conta acaba montando um emprego que paga menos que o salário mínimo por hora, com a vantagem de não ter férias.

Imposto e taxa: o que sai depois da venda

Se vende em marketplace, a plataforma fica com 12% a 20%. Se anuncia, o custo de anúncio precisa ser dividido pelas vendas que ele gerou. Se é MEI, o DAS mensal é fixo e precisa ser diluído nas peças do mês.

Esses custos vêm depois da venda, e é por isso que somem: quando o dinheiro entra na conta ele já entra descontado, e a sensação é de que a peça vendeu por menos, não de que houve um custo.

O que fazer com a lista

O erro não é desconhecer esses itens — quem imprime há algum tempo conhece todos. O erro é não ter onde registrar, e por isso recalcular tudo de cabeça a cada orçamento, com números do mês passado.

Uma planilha resolve, e é um começo perfeitamente válido. O problema da planilha aparece depois: ela não sabe quanto filamento sobrou no carretel, não liga o custo à venda que aconteceu, e ninguém atualiza o preço do PLA nela.

O Studio 3D foi feito exatamente para essa parte: cadastrar os filamentos com o preço real, montar o custo de cada peça com máquina e tempo, registrar as vendas e ver a margem de cada uma sem refazer a conta.

Comece medindo, nem que seja num caderno. O número que vai te assustar é o do seu tempo.

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